Durante mais de dez anos, tive e atualizei — a princípio quase diariamente, às vezes mais de uma vez por dia, depois cada vez menos — um blog-diarinho no UOL, chamado a princípio Odeio Boiânia, mas rapidamente mudado pra Cyn City. Agora, fico sabendo que o UOL vai descontinuar seus blogs, e pretendo mudá-lo pra cá. Não sei se vai ser possível, mas se não for, vou ficar triste como se perdesse um velho amigo. Porque é mais ou menos isso que ele é: alguém (por assim dizer) que passou comigo por poucas e boas, por muitas e más, por inúmeras e péssimas, e guardou lembranças que eu mesma, se não fosse por ele, teria perdido. Fiquei a noite inteira tentando ressuscitá-lo, mas ainda não faço ideia se vou conseguir ou não. Não só porque eu sou analfabyte, mas porque o sistema do UOL era bem mais simples que este daqui. Mesmo que consiga, vou sentir falta da minha imagem de capa, que amanhecia e anoitecia, mudando a cor do céu e acendendo as janelinhas dos prédios. Mas isso é o de menos. Se conseguir, já me considero no lucro. Minha memória não está tão bem pra dar conta do recado sozinha, e eu tenho cada vez menos amigos.

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Não, não é que eu já tenha desistido da dieta antes de começá-la, mas é que o livro está me deixando meio confusa. Alguns dos capítulos – que são considerados fundamentais e lidos, ou seguidos, dia a dia, não se aplicam ao meu caso. Tem um capítulo inteiro dedicado a “se sentar para comer”. Bom, eu devo ser mesmo preguiçosa pacaraio, porque eu nunca como em pé. E nem deitada, porque odeio migalhas na minha cama ou no sofá. Então é todo um capítulo – e um dia – que não serviram pra nada. Outro fala de eu me elogiar sempre que fizer algo saudável ou deixar de fazer algo engordativo. Eu vou tentar, eu vou tentar, mas isso tem uma cara de auto-ajuda tão grande que não sei se vou conseguir me levar a sério. Meu medo é, de repente, sair cantando “eu me amo, eu me amo” do Ultraje a Rigor, em vez de ficar só me dando tapinhas imaginários nas costas o dia todo. Bom, pelo menos alguma coisa real eu já fiz : me matriculei e fiz duas aulas de Pilates, e hoje devo começar a caminhar com o gatim, porque eu sei que pilates não emagrece ninguém. Mas é um começo, e believe you me, é beeeem mais do que eu tenho feito nos últimos anos.

Já fiz os cartõezinhos com os motivos pelos quais eu quero (e preciso !) emagrecer, espalhei pela casa, botei um na bolsa, programei o celular pra me “despertar” às 17h todo dia pra eu ler essa bagaça, escolhi duas dietas (uma pra valer e uma reserva), fiz a matrícula e a primeira aula no pilates e combinei de voltar a caminhar com o gatim nos outros 3 dias úteis. Tudo bem que ontem à noite ainda comi feijoada – de lata -, mas eu ainda estou nos prolegômenos da Dra. Beck e ontem estava sem empregada, sem verduras e frutas e sem paciência. Amanhã vai ser outro dia (?).

Pois é, lá vamos nós de novo. Sério, nem sei mais qual é o número desta dieta que eu devo começar daqui a 2 semanas. Talvez seja a décima, talvez a vigésima. Mas eu me sinto como se fosse a milésima, e sei que não vai ser fácil acreditar que esta vai ser a boa, a última, a que vai funcionar de vez e pra sempre. O “pecado” da gula não me incomodou nem um pouco por 25 muito felizes anos, mas a percepção de que já vem incomodando há quase 20 faz com que eu me toque de que é agora ou nunca. Desta vez, não vou me prender à dieta da vez, não vou tomar remédio nenhum e nem contar unicamente com a força de vontade. Comprei um livro – eu sei, parece auto-ajuda, oh céus – de uma psicóloga muito séria e respeitada, filha do cara que inventou a Terapia Cognitivo-Comportamental, e me comprometi a ler o bicho inteiro e seguir todas as suas recomendações, por mais picaretas e auto-ajudantes que elas soem. Até porque é melhor morrer (magra)de vergonha de ter apelado pra auto-ajuda do que (gorda) das doenças resultantes de auto-sabotagem ajudada (heh) pelo meu cynismo natural. O programa de “reajuste” mental leva no mínimo seis semanas, mas a autora pede que eu leve duas semanas só me preparando e seguindo as recomendações de cada capítulo. Eu, que nunca fui obediente nem disciplinada, prometo ser desta vez, nem que eu precise me amordaçar e bater nas minhas próprias costas com um chicotinho. Eu não gosto de ser gorda, não me acostumo com a gordura e não sou uma gordinha feliz, simpática, alto-astral nbem “com um rosto lindo”. Chega de banha. Desta vez eu chego lá, leve o tempo que levar.